Hoje, alguns dias depois, o finalizei.Detesto admitir isso, mas o clima do dia foi perfeito para o final, vamos dizer...denso, do livro. De fato, depois que o terminei, demorei um certo tempo para associa-lo completamente, na verdade, ainda duvido que tenha conseguido isso até agora.Só sei que estava com outro livro nas mãos e algo na leitura terminada me impediu de começar uma nova e me deixou apenas a observar a chuva.Me molhei toda, e molhei algumas paginas o livro...mas, quem se importa, não é mesmo?
Quem conhece um pouco sobre a historia do livro sabe que ele se passa na Alemanha da Segunda Guerra Mundial, e, de fato, ele aborda esse assunto do mesmo jeito que muitos outros livros o fazem. Mas não sei, acho que cada livro possui algo que define, que o torna unico - além do seu nome, personagens e coisas assim - e, nesse caso, poderia ser o fato de que ele é contado pela morte (duvido que muitos autores tenham se atrevido a isso), mas na verdade é a proximidade que você tem com os personagens.Você consegue imagina-los: a menina loira, magrela mas forte; o homem de cabelos de pena de ave que, ocasionalmente, tornavam-se de galhos; o casal de bom coração, um alto de olhos prata que havia sobrevivido o bastante para pelo menos duas pessoas, a outra, parecia uma porta, e vivia chingando todos a sua volta; uma mulher calada, que sofria muito e se castigava pela morte do filho, que andava sempre de roupão por uma mansão no alto de uma "montanha"; mas o que eu conseguia visualizar mais facilmente, era um menino de bom coração, inteligente e decidido, que foi muitas vezes comparado com uma vela por causa de seu cabelo.Não sei ao certo porque isso acontecia, acho que porque eu conseguia ve-lo no meu melhor amigo, talvez...enfim...
O fato é que, depois daquela historinha que disse no começo, em que decidi observar a chuva, tive que pegar um caderno e começar a escrever...Aquelas palavras sobre as quais Liesel falava tanto do meio pro final do livro saltavam na minha mente e acabavam por ser atropelarem, formando uma corrente interminável e o unico jeito de me livrar delas era escrevendo-as no papel.Foi o que eu fiz, mas acabei por me decidir a escreve-las num blog, de modo que eu nunca possa perde-las.
Não consigo deixar de pensar que esse livro foi escolhido por algum motivo.Quer dizer, eu sempre sei que vou gostar de um livro porque, basicamente no momento que o vejo, sinto uma atração inexplicavel por ele, sinto a necessidade de te-lo.Nesse caso, isso aconteceu a aproximadamente um ano, ou talvez mais, não sei; toda vez que o via sentia aquele desejo, e nenhum outro livro conseguia produzir uma sensação que pudesse ser comparada. Tanto foi, que comecei a le-lo na propria livraria, pois não conseguia esperar até ter tempo, dinheiro, ou sei lá o que fosse necessário para compra-lo. Agora que vejo, poderia apenas estar inventando desculpas, pois sabia o quanto esse livro poderia me ensinar: sobre o relacionamento com os pais, sobre amizade, sobre a vida, e, sobretudo, sobre as palavras!
De novo, as palavras!Acho que já é obvio porque dei esse nome ao blog.Afinal, as palavras são a arma mais poderosa e mais subestimada que existe nesse mundo!Paralelamente ao estudo de armas nucleares, os americanos estudaram o poder da persuasão , e isso obteve grandes conhecimentos para a psicologia, por exemplo.De fato, as palavras podem provocar uma dor muito maior que qualquer arma, podem ser uma prisão bem mais eficaz que qualquer presidio, podem controlar alguem muito melhor que qualquer outra tecnica.
Bom, já está tarde e sinto-me no dever de assistir ao nascer do sol com chuva antes de durmir...Mas antes, acho que é apropriado que eu termine o post com um trecho do livro em questão:
*Uma ultima nota de sua narradora*
Os seres humanos me assustam
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